Doutoramento em paralelo com a atividade profissional: como funciona na prática.
Fazer um doutoramento a par do trabalho e da família já não é, há muito, um caso excecional, mas também não é um projeto secundário. Esta visão geral apresenta os percursos, os requisitos formais, o tempo realista necessário e os pontos em que surgem dificuldades na prática.
Fazer um doutoramento em paralelo com a vida profissional significa: escrever a sua tese de doutoramento ao lado do trabalho, sob a orientação de um professor ou professora e aceite por uma universidade. O requisito prévio é, regra geral, um mestrado ou um diploma equivalente. É realista contar com vários anos, a um ritmo de 8 a 15 horas semanais. A decisão sobre a admissão, os exames e a atribuição do grau cabe exclusivamente à universidade.
Comparação das três vias
Para quem trabalha, existem, na prática, três modelos possíveis. Distinguem-se pelo grau de compromisso, pela estrutura e pelo ritmo, não pelo valor do grau académico. A escolha do modelo adequado depende de duas questões: de quanta estrutura externa necessita e quantos compromissos fixos consegue estabelecer ao longo dos anos?
Na prática, a maioria dos profissionais opta pelo doutoramento externo, porque é o que implica menos compromissos obrigatórios. No entanto, quem sabe que não consegue trabalhar sem um ritmo imposto externamente, sai-se melhor com um programa estruturado, mesmo que pareça mais incómodo.
É aceite na universidade como doutoranda ou doutorando, mas trabalha fora. Orientação por parte de um professor da faculdade; o tema é, na maioria das vezes, retirado da sua experiência profissional. Máxima liberdade, máxima responsabilidade pessoal, o mínimo de compromissos obrigatórios.
Estrutura fixa com cursos, marcos e um grupo coeso. Mais estrutura, mais compromissos, muitas vezes com aulas presenciais. Não está aberto a todos os profissionais, mas é mais fácil de planear e permite o contacto com outros doutorandos.
Orientação por parte de um corpo docente de uma instituição de ensino superior de ciências aplicadas, em conjunto com uma universidade com competência para conceder doutoramentos. Muitas vezes, o caminho mais adequado para profissionais com temas orientados para a prática, mas que implica um duplo esforço de coordenação.
O que é necessário apresentar formalmente
O único documento vinculativo é o regulamento de doutoramento da faculdade onde pretende fazer o doutoramento. Trata-se de legislação estatutária, está publicado no boletim informativo da instituição de ensino superior e prevalece sobre qualquer informação fornecida por uma entidade oferente. Leia-o antes de investir tempo na elaboração de um resumo do projeto.
Estes pontos surgem em quase todos os casos:
A isto acrescenta-se o que não consta de nenhum regulamento, mas que, mesmo assim, é determinante para o sucesso: uma questão que o acompanhe ao longo dos anos, acesso garantido aos seus dados e um ambiente que lhe permita dispor do tempo necessário.
Quanto tempo demora e de que depende
Quando se concilia com a vida profissional, vários anos são a regra. Quantos, depende de quatro fatores: área de especialização, acesso aos dados, créditos pré-requisitos e as horas que consegue realmente reservar por semana. Quem indicar um número fixo sem conhecer o seu tema está apenas a dar um conselho.
O fator mais determinante é a regularidade, não o número total de horas. Dois blocos fixos por semana são mais eficazes do que um fim de semana por mês, porque cada vez que se retoma o próprio texto custa tempo. Quem escreve apenas durante as semanas de férias perde uma parte considerável desse tempo a tentar retomar o fio à meada.
Mais fiável do que uma duração total é um plano por fases com objetivos intermédios. Assim, ao fim de três meses, poderá verificar se o seu ritmo é sustentável, e não só ao fim de três anos. De qualquer forma, uma parte do tempo não depende de si: a aceitação, a avaliação e a data da defesa seguem o calendário da faculdade.
Quanto custa
Normalmente, não há propinas no sentido clássico para o doutoramento, mas sim contribuições semestrais ao longo de todo o período. A isto acrescentam-se a literatura, eventualmente o acesso a bases de dados, os custos da recolha de dados, as viagens para congressos e a publicação da tese, cuja forma é determinada pelo regulamento do doutoramento.
Opcionalmente, podem ser contratados serviços de revisão linguística e de estilo, aconselhamento estatístico e um acompanhamento estruturado. O maior custo não é nenhum destes, mas sim o seu tempo ao longo de vários anos. Quem reduzir o horário de trabalho deve também ter isso em conta.
Por que razão os projetos fracassam
O abandono raramente tem a ver com falta de talento. São quase sempre os mesmos pontos de ruptura, e todos podem ser verificados antes do início.
O ponto de falha mais frequente. Quem pretende fazer investigação na própria empresa precisa de uma autorização por escrito para a recolha de dados e a publicação, e isso raramente surge por si só.
A capacidade de acompanhamento é escassa, especialmente para quem vem de fora. Cinco pedidos personalizados têm mais hipóteses de sucesso do que cinquenta e-mails em série, e demoram menos tempo.
Um calendário que pressupõe 20 horas semanais não resiste ao stress inicial do projeto. Fazer cálculos conservadores protege contra o abandono.
Quem, ao fim de dois anos, ainda está à procura do tema de investigação, não tem um problema de tempo, mas sim um problema de foco. Restringir o âmbito é o conselho mais frequente dos orientadores.
Os primeiros seis meses
O início é mais decisivo do que a perseverança. Nos primeiros meses, devem estar definidos três aspetos: uma questão mais restrita, uma declaração sólida sobre o acesso aos dados e um primeiro contacto com uma ou duas cátedras que pesquisem o seu tema.
Só depois disso é que vale a pena elaborar o resumo do projeto. Quem o escreve sem feedback acaba muitas vezes por produzir uma versão que não se adequa ao perfil da cátedra e tem de recomeçar do zero.
O que a Ascendius faz por si
Nós estruturamos o percurso: afinar o tema, comparar a lacuna de investigação com o estado da literatura, rever a proposta de tese, identificar a universidade e a orientação adequadas, avaliar o regulamento de doutoramento, conciliar o calendário com a sua agenda real e preparar a defesa da tese.
O trabalho científico é da sua responsabilidade. Não se trata de uma formalidade, mas sim da condição para que o grau tenha validade duradoura. Todas as universidades com as quais trabalhamos estão registadas no anabin com o estatuto H+, e a decisão sobre a admissão e a atribuição do grau cabe exclusivamente à universidade.
Perguntas frequentes.
É possível fazer um doutoramento em paralelo com a atividade profissional?+
Sim. O caminho habitual é o doutoramento externo: é aceite na universidade e continua a exercer a sua profissão. Além disso, existem programas estruturados e doutoramentos em cooperação com institutos superiores de ciências aplicadas.
Quanto tempo demora um doutoramento em regime de conciliação com a atividade profissional?+
Vários anos. A duração depende da área de estudo, do acesso aos dados, dos créditos já obtidos e do tempo que dedica semanalmente de forma consistente. Só é possível fazer uma estimativa fiável quando o tema e a disponibilidade de dados estiverem definidos.
Quantas horas por semana preciso de dedicar?+
Realisticamente, entre 8 e 15 horas em blocos fixos. O importante é a regularidade, porque cada interrupção prolongada implica tempo para retomar o trabalho.
Tenho de estar matriculado para o doutoramento?+
Em regra, sim. O regulamento do doutoramento regula a admissão como doutoranda ou doutorando e a matrícula. Os detalhes variam consoante o estado federativo e a faculdade.
Um doutoramento em regime de conciliação com a atividade profissional tem menos valor?+
Não. O grau é atribuído de acordo com as mesmas regras que num doutoramento a tempo inteiro, com as mesmas avaliações e o mesmo exame. A única diferença é o caminho para o alcançar.
O meu empregador precisa de saber disso?+
Na maioria dos casos, não é necessário o seu consentimento, desde que não seja afetada qualquer cláusula relativa a atividades secundárias. No entanto, assim que realizar investigação na sua própria empresa, necessitará de uma autorização por escrito para a utilização de dados e a publicação.
Quanto custa um doutoramento em regime de conciliação com a atividade profissional?+
Propinas semestrais ao longo de toda a duração, além de literatura, recolha de dados, congressos e a publicação. O acompanhamento é acordado separadamente. Indicamos o orçamento global na primeira reunião, antes de se comprometer.
Relacionado com este tema.
Consulta inicial gratuita e sem compromisso.
15 minutos online: analisamos a sua situação inicial, um possível tema e o caminho mais adequado.
Deixe os seus dados de contacto no formulário. Entraremos em contacto consigo e esclareceremos todos os pormenores diretamente durante a conversa.